Quando a personalidade se torna o centro do sistema?

« Personalidade » torna-se o centro do sistema não no momento da sua simples existência, mas no momento em que o movimento de todo o sistema começa a depender do seu estado, da sua reação, do seu comportamento e da sua escolha.

Enquanto a pessoa apenas se encontra dentro da sociedade, do mercado ou do Estado, é um participante. Pode trabalhar, comprar, obedecer a regras, usar produtos e viver dentro de uma estrutura já criada. Mas o centro do sistema surge apenas quando precisamente o seu « Comportamento » começa a determinar o que acontecerá a seguir: se aparecerá a « Escolha », se surgirá a « Procura », se começará o movimento do « Dinheiro », se o produto, o mercado, o poder ou o próprio sistema se alterarão.

Por isso, a « Personalidade » torna-se o centro do sistema quando o sistema deixa de ser explicado apenas pela produção, pelo capital, pelo Estado ou pelo mercado, e começa a ser explicado através da pessoa que percebe a influência, reage a ela e, pela sua escolha, define a direção do movimento seguinte.

 

Regra

A Personalidade torna-se o centro do sistema quando o movimento de todo o sistema depende do seu Comportamento

 

Resposta

« Personalidade » torna-se o centro do sistema quando o seu estado interno, a sua perceção, a sua reação e o seu « Comportamento » começam a determinar a « Escolha », a formar a « Procura » e a orientar o movimento do « Dinheiro » dentro do sistema económico e político.

 

Lei

« Personalidade » torna-se o centro do sistema no momento em que o sistema começa a depender do seu « Comportamento » e da sua « Escolha ». Através disso forma-se a « Procura », que inicia o movimento do « Dinheiro » e muda a direção de todo o sistema.

Personalidade → Comportamento → Escolha → Procura → Dinheiro

 

O mecanismo através do qual a Personalidade se torna o centro do sistema

« Personalidade » torna-se o centro do sistema através da passagem da participação para a determinação do movimento.

Participação → Comportamento → Escolha → Procura → Dinheiro → Direção do sistema

 

Explicação (alargada)

« Personalidade » não se torna automaticamente o centro do sistema. O simples facto da existência da pessoa ainda não faz dela o elemento central de um processo económico ou político. A pessoa pode fazer parte do sistema, cumprir uma função, obedecer a regras, receber rendimento, consumir bens e participar no mercado, mas, ao mesmo tempo, não determinar a direção do movimento. Nessa posição, continua a ser um elemento de uma estrutura já existente.

A « Personalidade » torna-se o centro do sistema quando o seu estado começa a influenciar o comportamento de toda a cadeia. Se a pessoa muda a sua relação com um produto, um serviço, o poder, a informação, o trabalho, o dinheiro ou o futuro, muda o seu « Comportamento ». Se muda o « Comportamento », muda a « Escolha ». Se muda a « Escolha », muda a « Procura ». Se muda a « Procura », muda o movimento do « Dinheiro ». Nesse momento, o sistema já não pode ser explicado apenas por mecanismos externos, porque o seu movimento começa dentro da pessoa.

É precisamente aqui que passa a fronteira entre participante e centro. O participante está integrado no sistema. O centro define a direção do sistema. O participante reage a condições já prontas. O centro transforma a sua reação em novo movimento. O participante consome aquilo que já foi criado. O centro, através da sua escolha, determina o que será criado a seguir, o que receberá apoio, o que perderá significado e para onde o dinheiro se deslocará.

Nos antigos modelos económicos, o centro era frequentemente transferido para a produção, o Estado, o capital, a classe ou o mercado. Mas essa lógica descreve o lado externo do processo. Mostra a fábrica, o produto, o preço, o salário, a propriedade, as instituições e os fluxos financeiros. Contudo, todos estes elementos começam realmente a mover-se apenas depois de a pessoa manifestar uma relação com eles através do seu comportamento. Sem o comportamento da « Personalidade », o produto continua a ser uma oferta, o mercado continua a ser um espaço, o dinheiro continua a ser um instrumento, e a decisão do Estado continua a ser uma regra no papel.

Por isso, no modelo da « Lei Fundamental da Economia Política », o centro do sistema não se encontra onde o resultado já é visível, mas onde surge a causa do movimento. Essa causa encontra-se na « Personalidade ». A pessoa percebe a influência, forma uma atitude, manifesta comportamento, faz uma escolha e cria procura. Depois disso, o sistema começa a reorganizar-se em torno da escolha já realizada.

Isto vê-se com especial clareza no mundo contemporâneo. As empresas lutam não simplesmente pela produção, mas pela atenção da pessoa. As forças políticas lutam não simplesmente por instituições formais, mas pela confiança, pelo medo, pela expectativa e pela reação da pessoa. As plataformas lutam não simplesmente pelo utilizador, mas pelo seu comportamento dentro do sistema. O dinheiro desloca-se para onde foram formados atenção, hábito, confiança e procura. Isto significa que o centro do sistema se desloca cada vez mais para a « Personalidade », porque é precisamente através dela que passa a principal gestão do movimento.

Quando a « Personalidade » muda o comportamento em massa, muda todo o sistema. Se as pessoas deixam de confiar nos bancos, começa uma saída de dinheiro. Se as pessoas deixam de comprar um determinado produto, a produção reduz-se. Se as pessoas mudam o comportamento político, muda o poder. Se as pessoas transferem a atenção para plataformas digitais, para lá vão a publicidade, o capital e a influência. Em todos estes casos, o movimento começa não com o dinheiro e não com a produção, mas com a alteração do comportamento humano.

Daqui resulta a conclusão principal: a « Personalidade » torna-se o centro do sistema quando o seu comportamento deixa de ser uma reação privada e se transforma numa força que determina o movimento dos outros elementos. É precisamente então que a economia, a política, o mercado, o produto e o dinheiro começam a depender da forma como a pessoa percebe o mundo, daquilo a que reage, do que escolhe e para onde dirige a sua ação.

Assim, a « Personalidade » torna-se o centro do sistema não porque simplesmente se encontra dentro da economia, mas porque através do seu « Comportamento » e da sua « Escolha » todo o sistema económico e político começa a mover-se.

 

Exemplo

Uma empresa produz um produto, investe dinheiro em publicidade, abre lojas e cria um sistema de mercado exteriormente correto. Do ponto de vista da velha lógica, o centro encontra-se na produção: há um produto, há um preço, há um mercado, há capital, há oferta.

Mas o produto não se torna um resultado económico por si só. Torna-se um resultado apenas quando a pessoa lhe presta atenção, o percebe como necessário, muda o seu comportamento e faz uma escolha.

Uma pessoa vê esse produto e passa ao lado. Para ela, o sistema não se iniciou. A produção existe, a publicidade existe, o preço existe, mas dentro da sua « Personalidade » não surgiu movimento. Não apareceu o « Comportamento » necessário, não se formou a « Escolha », não surgiu a « Procura », e o « Dinheiro » não começou a mover-se.

Outra pessoa vê o mesmo produto e reage de forma diferente. Nela aparece interesse, confiança, desejo ou sensação de necessidade. A sua « Personalidade » muda o « Comportamento ». Ela para, compara, toma uma decisão e compra. Nesse momento, o produto torna-se parte do movimento económico, porque através da « Personalidade » surgiu a « Escolha », através da « Escolha » apareceu a « Procura », e através da « Procura » começou o movimento do « Dinheiro ».

Um mesmo sistema deu dois resultados diferentes. A produção era a mesma. A publicidade era a mesma. O preço era o mesmo. Mas o movimento económico surgiu apenas onde a « Personalidade » se tornou o centro da decisão.

A diferença não está no produto nem na montra.

A diferença está na « Personalidade ».

É precisamente por isso que o centro do sistema é determinado não por aquilo que já foi criado, mas por quem toma a decisão e define o movimento. Enquanto a pessoa não reage, o sistema continua a ser uma construção externa. Quando a pessoa muda o comportamento e faz uma escolha, o sistema começa a mover-se à sua volta.

 

Iv.Spolan
Autor do modelo “Lei Fundamental da Economia Política”

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